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Manual de sobrevivência na gestão para tempos turbulentos.


quinta-feira, 12 de abril de 2018

Mudança de era não vem com bula. Por mais que se tente ou queira, receitas prontas não dão conta da complexidade e velocidade que os novos tempos trazem. Modelos tradicionais de liderança baseados em comando e controle não estão possibilitando melhor desempenho nem otimização de criação de valor.

Bons eram os tempos em que a gente implementava a moda da vez e ficava bem na foto. Reengenharia, "downsizing" e terceirização são termos que garantiam a sobrevivência de uns, mas que hoje já não dão conta de gerar resultados constantes que saciem o apetite dos acionistas, a fidelidade dos clientes e a gestão dos colaboradores.

Não é por acaso que o termo "mundo VUCA" (traduzindo: Volatilidade, Incerteza/Uncertainty, Complexidade e Ambiguidade) anda assombrando a cabeça de muitos gestores do mundo corporativo.

Como líder, fui treinado em botar a casa e o time em ordem, organizando e exercendo o controle da jornada. Infelizmente, a maioria das escolas e programas de desenvolvimento não tem acompanhado a evolução disruptiva que a tecnologia trouxe, pois ainda continuam estimulando a inglória ilusão de controlar toda essa ebulição com fórmulas datadas.

A boa notícia é que essa complexidade trouxe um estímulo para um papel mais amplo da liderança. Por isso, Wellington e eu resolvemos trazer uma reflexão sobre o papel do líder nesse mundo turbulento.

Se tem um lugar "VUCA", é o hospital. Eu, Wellington, quando iniciei o trabalho dos Doutores da Alegria, observei que nossa atuação trazia um contraponto para todos os stakeholders: pacientes, familiares, médicos e profissionais de saúde que encontrávamos no universo hospitalar. Esse contraponto não significava negar a doença, a tensão ou os imprevistos, mas estimular o que estava saudável no ambiente, por meio de uma divertida dinâmica de cocriação entre a criança e o palhaço.

Assim, começamos a dialogar com o ambiente e seu público, para juntos encontrar, ampliar e habitar espaços inexplorados de soluções. Testemunhei a vitória da alegria sobre a adversidade, inúmeras vezes!

Isso não só é forte, mas eficaz e contagiante; uma vez aberto, esse espaço permitiu que todos entrassem na brincadeira: a equipe da saúde pôde ressignificar sua relação com o seu ofício e seus pacientes, e nós começamos a ouvir que essa forma de atuar "humanizava o ambiente hospitalar". Na verdade, já somos humanos, mas entendemos a mensagem: estávamos legitimado um espaço de respiro e descontração que gerava insights e, consequentemente, mudança de conduta - e, por que não, performance.

Eu, Sergio, acredito que o trabalho e os resultados dos Doutores servem de inspiração para que nós, líderes do mundo corporativo, possamos ampliar nossa capacidade de ver possibilidades onde elas parecem não existir.

O ponto básico dessa transformação é a consciência que saúde não é, necessariamente, ausência de doença e alegria não é ausência de problemas. É a conexão com a nossa potência que nos permite olhar os desafios nos olhos e falar: "Vamos resolver essa questão agora!" Em vez de resolver no campo de batalha, podemos escolher o inesperado: o playground, o lugar onde aprendemos a cair, levantar e continuar jogando.

Transpor essa prática para o mundo corporativo é mais sustentável. Fazemos menos esforço para obter melhores resultados. Mais importante que saber é praticar. Nossa prescrição de como desenvolver essa alegria com competência começa com o cultivo da nossa consciência e presença. Fácil? Não, simples!

O ponto de partida é uma respiração consciente, para aguçar a capacidade de olhar e ouvir a criança ou seus colaboradores e entender qual jogo iremos criar juntos. Não é à toa que a prática de "mindfulness" tem se tornado tão difundida. Respirar é o único ato voluntário e involuntário do ser humano, mas ao usá-lo apenas involuntariamente cultivamos um grande desconhecimento de nosso potencial.

A simples respiração consciente e profunda ajuda a deslocar nossa mente e traz uma nova perspectiva ao "VUCA", pois assim resgatamos nosso poder de observar o caos e o complexo com calma, discernimento e gentileza. Em especial, conseguimos dialogar com ele de igual para igual, sem sermos tragados por toda essa atmosfera de "barulho mental".

Antes do palhaço entrar em um quarto de hospital, uma respiração profunda serve como senha para entender o jogo e os jogadores, podendo compor com eles a melhor alternativa para o momento. No diálogo há jogo e, por consequência, possibilidades, tanto no hospital como na empresa.

Esse é o tema central: que jogo queremos jogar? Aquele que se um ganha o outro tem de perder, ou outro mais amplo, rico, complexo e instigante?

Para quem quer jogar dessa forma, fica um recado: quando for opinar, discutir ou liderar, reflita se suas atitudes constroem ou destroem. Se elas estimulam a criatividade da equipe ou provocam medo. Se trazem o melhor ou o pior de cada jogador. Só de pensar nisso antes de jogar as chances da sua jogada ser mais interessante aumentam.

James P. Carse, professor de teologia da Universidade de Nova York e autor do livro "Jogos Finitos e Infinitos", propõe a existência de dois tipos de jogo. Um é o finito, onde se joga para ganhar, mas ao final do tempo determinado pode-se também empatar ou perder. O outro é o jogo infinito, que é jogado para que mais jogadores entrem nele, sem a preocupação de ganhar ou perder, mas de manter o jogo acontecendo.

Em um mundo onde a turbulência impera, acreditamos que quem melhor entende o jogo é aquele que respira, está presente, conecta-se verdadeiramente com a situação e propõe novos formatos. É na presença, no diálogo e no humor que reside o convite para se descobrir novos caminhos e ideias, tanto nos hospitais quanto nas empresas.

(*) Sergio Chaia é coach de CEOs e de treinadores de atletas de alto rendimento, atua em conselhos de empresas e faz mentoria para empreendedores.

(*) Wellington Nogueira é fundador da organização sem fins lucrativos Doutores da Alegria e estudioso do futuro do trabalho.

Fonte: Valor Econômico, por Sergio Chaia e Wellington Nogueira (*), 11.04.2018



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